30/06/08

Afinal a estória da Fruta parece que tem uns podres da Capital!

«Apito Dourado: Pinto da Costa não vai a julgamento no "Caso da Fruta", decidiu TIC do Porto

Porto, 30 Jun (Lusa) - O Tribunal de Instrução Criminal do Porto decidiu hoje não levar a julgamento o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, no processo Apito Dourado relativo ao jogo FC Porto-Estrela da época 2003/04, conhecido como o "Caso da Fruta".
O juiz de instrução Artur Ribeiro ordenou que seja enviada ao DIAP certidão das declarações prestadas, em sede de instrução, pela testemunha Carolina Salgado, com vista a eventual procedimento criminal por testemunho agravado falso.
Em causa estava, no processo agora arquivado, um jogo entre o FC Porto e o Estrela da Amadora arbitrado por Jacinto Paixão.
O MP sustentava que teriam sido fornecidas prostitutas à equipa de arbitragem e que lhe teria sido propiciado um jantar como contrapartida por violação das regras de jogo naquela partida. JGJ/PM. Lusa/Fim» in http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/16ee2b58d573131b993305.html#page=7
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Gostaria de saber se que quem patrocinou o livro da Senhora Carolina Salgado, tais como, o senhor Luís Filipe Vieira, o tal que também foi apanhado em escutas a combinar com o Major Valentim Loureiro o nome de um árbitro para uma Final da Taça de Portugal, a senhora Leonor Pinhão, jornalista muito independente do Jornal do Clube do Regime, A Bola, vão também ser agora investigados, dado que se infere desta decisão do Tribunal que alguém teve interesse nas mentiras da Dona Carolina... Mais, gostaria de saber o que diria agora o Mr. Platini, o homem que beneficiou enquanto jogador de anos de batota da Juventus e tanto se aflige com a corrupção no Futebol em Portugal; na Itália tudo bem... Para terminar, pelo menos por agora, gostava de saber como decorre a investigação dos três incendiários que atearam fogo ao autocarro dos adeptos do F.C. do Porto, que foram assistir à derrota no ringue do Pavilhão da Luz, dos Mouros, na capital capitalista, resultando no heptacampeonato dos Dragões, em Hóquei Patins. Se não for incómodo, gostaria que descobrissem quem patrocinou tal acto, dado que cheiro a pneu queimado, faz-me lembrar qualquer coisa... não piquem muito os Dragões, eles queimam!

Mariza - Uma Voz Grandiosa do Fado e da World Music!




Mariza - "Gente da Minha Terra"

Mariza - "Povo Que Lavas No Rio"

Amalia Rodrigues - "Povo que lavas no Rio" - (1961)

Dulce Pontes - "Povo Que Lavas No Rio"

Mariza - "Estranha Forma de Vida"

Carlos do Carmo & Mariza - "Estranha Forma de Vida"

Mariza - "Loucura"

Mariza - "Cavaleiro Monge"

Mariza - "Medo"

Mariza - "Barco Negro"

Mariza - "Fascinação" - (ao vivo)

Elís Regina - "Fascinação"

Mariza - "Primavera"

Mariza - "Chuva"

Mariza - "Quando me sinto só!"

Mariza - "Duas Lágrimas de Orvalho"

Mariza - "Transparente"

Mariza - "Há palavras que nos beijam"


«Mariza


Informação geral
Nome completo: Mariza Reis Nunes
Data de nascimento: 16 de Dezembro de 1973
País: Moçambique
Origem(ns): Portugal
Gênero(s): Fado, Morna, R&B, Gospel
Gravadora(s): World Connection / EMI
Website www.mariza.com
Mariza Reis Nunes ComIH (Moçambique, 16 de Dezembro de 1973) é uma fadista portuguesa, segundo ela própria corrige na TSF à conversa com Carlos Vaz Marques em 2003, é uma «cantadeira de fados». Foi a única portuguesa até hoje a integrar os concertos do Live 8 e a primeira a ser nomeada para um Grammy Latino, o qual perdeu para Los Gaiteros de San Jacinto, da Colômbia.
O seu concerto para milhares de pessoas no Royal Albert Hall consagrou-a como cantora, e tornou-se uma das vozes portuguesas mais internacionais, spresença regular em palcos como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Lobero Theater, em Snata Barbara, a Salle Pleyel, em Paris, ou a Ópera de Sydney. Segundo o jornal britânico The Guardian a fadista é «uma diva da música do mundo».


Biografia


Infância e juventude
Mariza nasceu na antiga Lourenço Marques, capital de Moçambique (quando este país ainda era uma colónia ultramarina portuguesa), filha de pai português, José Brandão Nunes, e mãe moçambicana, Isabel Nunes. Nasceu prematura, de seis meses e meio sem qualquer justificação clínica aparente[1], e, segundo declarações da cantora à SIC, o pai considerava-a o bebé mais feio que alguma vez vira. «Ainda tinha as orelhas coladas e os olhos por abrir.» [2] e o próprio pai pensou que não sobreviveria. Mas tal não aconteceu.
Ao colo da mãe[3], com três anos, chegou ao Aeroporto da Portela em Lisboa, pela primeira vez em 1977. Na actual Maputo, o pai conservara por vários anos o confortável emprego de chefe de armazém numa empresa de electródomésticos portuguesa.[4] Com a eclosão da guerra e a consequente perseguição das famílias portuguesas nas antigas colónias ultramarinas portuguesas, o pai teve que fugir com a família mais chegada, escolhendo Lisboa para recomeçar uma nova vida. Instalaram-se em Corroios e mais tarde no nº22 da Travessa dos Lagares.
Reabriu em 1979 o restaurante Zalala no bairro tipico de Lisboa, Mouraria, onde morou a Severa, a primeira fadista, reinventada na voz de Mariza já posteriormente com a sua imaginativa versão de Há festa na Mouraria. Zalala, hoje fechado, o restaurante onde Mariza cresceu, homenageia uma praia moçambicana. [5]
A par da tradição fadista, o pai de Mariza resolveu realizar semanalmente umas tardes de fado no restaurante, já que também adorava o género musical. Foi precisamente a figura do pai que determinou o gosto da cantora pelo fado. Segundo ela, o pai estava «sempre a ouvir fado e, na hora das refeições, nunca se via televisão; ouviam-se discos, sempre de fado...» [6]Fernando Farinha, Fernando Maurício, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, entre muitos outros, eram os predilectos de José Nunes, e foram os que mais influenciaram a forma de cantar de Mariza.
Com cinco anos de idade, recebeu o seu primeiro xaile, e começou então a moldar a voz que a tornou famosa. Sobre o estabelecimento onde aprendeu a cantar o fado e onde actuou pela primeira vez aos cinco anos, já envergando um xaile negro, Mariza referiu:


"Foi aqui que toda a história começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acabar de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para servir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada!"


Ali cruzou-se «com tantos fadistas que as suas caras já se esfumam na memória». O restaurante permanece fechado à vários anos mas ainda conserva na porta a placa com o seu nome e uma legenda que diz «O cantinho do artista».
Somente a começaram a levar a sério como cantora na adolescência, mas os pais admitiram em várias entrevistas saberem que a filha tinha um «dom». Sempre que cantava tinha a casa cheia, e só cantava caso reinasse o silêncio na sala, fazendo juz à celebre expressão «Silêncio que se vai cantar o fado!». O primeiro fado que interpretou no Zalala foi Os Putos. José Nunes ensinou a letra da canção à filha fazendo desenhos em toalhetes de papel. [8] Ainda a menina não sabia ler, e era a forma de decorar os fados preferidos pelo pai, assim como Cheira bem, cheira a Lisboa e Menina das tranças pretas.
A escola primária da Mouraria, tinha o seu recreio como palco da jovem de seis anos. Em entrevista ao Correio da Manhã, a antiga auxiliar de educação da escola, Dª. Fernanda, referiu qua a jovem fazia uma roda com as colegas e depois ía para o meio delas onde cantava, com a professoras de vígia nos vestíbulos ou atrás das janelas, para que não se sentisse constrangida. [9]
Segundo ela própria e a mãe, um dos seus hobbies era o sapateado, praticado à porta de casa com caricas de Coca-Cola coladas nos sapatos. Cantava em casa e, a cumprir o papel de microfone, utilizava latas de laca e desodorizantes. [10] «Era a minha imitação do Fred Astaire!»[11], declarou posteriormente.
Aos sete anos, convidada por Alfredo Marceneiro Júnior, filho de Alfredo Marceneiro, é convidada para actuar no palco do restaurante Adega Machado, sendo esta a sua estreia numa casa de fados. A casa viria a significar bastante para a aprendizagem de Mariza, que contou neste processo com fadistas como Maria Amélia Proença e outros.
Já na adolescência, Mariza passa a frequentar a Escola Secundária Gil Vicente, onde haviam estudado Maria Rueff, Miguel Sousa Tavares, o nobel José Saramago, entre outros. Por coincidência do destino, esta escola ensinou ao longo dos tempos 3 pioneiros portugueses, José Saramago, o primeiro nobel da literatura português, Ruy de Carvalho, um dos maiores nomes do teatro e televisão portugueses galardoado diversas vezes com o Globo de Ouro de Melhor Actor, e, por fim, Mariza, a primeira nomeada portuguesa para os Grammys Latinos e ícone maior do fado contemporâneo. Segundo auxiliares de educação e professores, era uma miúda discreta e recatada que, talvez por gostar de fado e este género ser na altura considerado uma «música menor», em consequência da Revolução de Abril, andava muito sozinha. Contudo, nas visitas de estudo, era a primeira que se dispunha a cantar no microfone para uma plateia formada pelos colegas e professores. [12] Na altura, ainda tinha o cabelo preto e sempre embaraçado, hoje «substituído» por famosos anéis platinados, aos quais dedicou a música Os anéis do meu cabelo. Era hábito seu fugir de casa para ir ouvir as noites de fado para o Grupo Desportivo da Mouraria, onde permanecia à porta, já que não lhe permitiam a entrada.
Enquanto adolescente e até se assumir como fadista cantou diversos géneros musicais como, pop, gospel, soul e jazz. Como a própria admitiu numa entrevista dada à SIC, não caía bem entre os amigos dizer que um dos seus hobbies era cantar fado. Os amigos começaram a mostrar-lhe outro tipo de música, com a qual também se identificou e começou a cantar. Formou com alguns amigos uma banda de covers de nome Vinyl, e costumavam cantar no Xafarix.
Mariza cantava regularmente num bar da Madragoa, o "Berimbar", cuja proprietária é a mãe do seu companheiro, João Pedro Ruela. O Berimbar nasceu em 1985. Ainda hoje o Bar Barimbar é um espaço calmo com música escolhida pela sua proprietária, Maria Cristina Alves, em sintonia com o ambiente do bar. No final do concerto no Pavilhão Atlântico (Novembro, 2007), foi aqui neste bar que Mariza reuniu os seus maiores amigos para uma agradável ceia organizada pela sua "sogrinha", que é como carinhosamente trata a mãe do seu companheiro, mentor e empresário João Pedro Ruela. Ali poderá ainda apreciar um dos discos de ouro que Mariza ganhou nos primeiros anos da sua carreira de cantora.
A música brasileira, na altura, era ainda uma atracção para Mariza. A intérprete viveu mesmo durante cinco meses no Brasil, no ano de 1996. Neste país latino-americano cantou num paquete vários géneros, mas sempre lhe pediam que cantásse fado. A «chama fadista» que estagnara um pouco neste tempo, e com este interesse brasileiro pelo fado acabou por renascer o seu interesse pelo género e revitalizar uma antiga paixão. Retorna a Portugal.


Temporada no Sr. Vinho


Simultaneamente, foi na Lapa, numa da mais típicas casas de fados de Lisboa, o Sr. Vinho, propriedade de Maria da Fé, uma das mais conhecidas fadistas, e de José Luís Gordo, que Mariza começou a cantar mais profissionalmente. «Maria da Fé foi praticamente a professora dela aqui», segundo José Luís Gordo[13], que chegou a escrever dois fados para a intérprete. A primeira música que cantou em público foi Povo que lavas no rio, a «música-ícone» do fado, poema de Pedro Homem de Mello. Recebendo cerca de 50€ por noite, por ali se manteve durante cerca de um ano.
O director de animação da discoteca Rock City foi convencido a ir assistir ao Xafarix um dita banda que fazia sucesso, os Vinyl. João Pedro Ruela confessou que não gostou muito do grupo ao princípio, nem da sonoridade. Contudo, a sua inserção nas noites da Rock City foi um sucesso, e João Pedro acabou por convidá-los a retornar a cantar no espaço. Mariza e João Pedro começaram a estreitar relações até que em 1997, em conjunto formaram uma banda, os Funkytown.
Cantou também no Café Café, propriedade de Herman José, o «Jay-Leno português» e nome maior do humor em Portugal. Inicia o namoro com João Pedro Ruela, que mais tarde se tornaria seu esposo, manager e percussionista.


Internacionalização e chegada ao grande público
Por estranho que pareça, antes da sua chegada ao grande público, Mariza já se estava a internacionalizar. Em 1998 tem a sua primeira internacionalização, a convite da Caixa Económica Luso-Belga, para uma actuação em Bruxelas, Seguiu-se Amesterdão. Em entrevista à SIC, a cantora admitiu que tudo aquilo (um «tudo aquilo» que na altura representava salas pequeníssimas com cinquenta lugares sentados no máximo) lhes parecia estranho e alvo de desconfiança.
Em 1999 chega finalmente ao grande público pela mão da Filipe La Féria, que a integrou na lista de cantores que homenageariam Amália Rodrigues num espectáculo no Coliseu de Lisboa (e depois no Coliseu do Porto), transmitido em directo pela TVI. Entre as músicas que cantou estava Oiça lá ó Sr. Vinho, malhão que se tornou num dos ritmos mais conhecidos de toda a sua discografia e que, mais tarde, viria a interpretar no programa Herman SIC, apresentado pelo seu amigo Herman José.


Fado em mim
Primeiramente perspectivado para ser somente uma edição privada, feita por insistência de João Pedro Ruela[14], acabou por ser editada em 32 países [15]. As editoras discográficas portuguesas rejeitaram a gravação dos álbuns de Mariza. No entanto, uma editora holandesa, a World Connection decidiu apostar na fadista editando o seu primeiro disco em vários países.
Num concerto em Bruxelas, Albert Nijmolen, presidente da World Connection, conheceu Mariza e trocaram contactos. Daí surgiu uma amizade e um contrato de edição de discos, o que se tornou igualmente proveitoso para a editora, até então, uma ilustre desconhecida. Actualmente, a editora tem contrato firmado também com Sara Tavares. Começando a realização do trabalho discográfico em 2001, 2002 foi o ano em que Mariza viu o seu primeiro álbum, Fado em Mim, editado, CD que obteve quádrupla platina em Portugal. Mais tarde Mariza viria a tornar-se na principal estrela da editora discográfica.
Entre as principais faixas do CD encontram-se Chuva, o emblemático Ó gente da minha terra, o seu maior hit e o seu primeiro single, e Oiça lá ó senhor vinho, um malhão que assinalou a sua pluralidade vocal tanto em temas melancólicos como em canções alegres.
As fotografias da capa e antecapa são da autoria de Eduardo Mota, o vestido negro e a maquilhagem feitas por João Rôlo e o cabelo penteado por Eduardo Beauté. A produzi-lo, Mariza teve encarregues Tiago Machado e Jorge Fernando. Tiago Machado fez os arranjos de várias músicas, entre elas o single Ó gente da minha terra. Jorge Fernando escreveu a letra de Chuva, música que obteve sucesso na voz de Mariza.
Ó gente da minha terra é a mais emblemática música de toda a sua carreira, também proviniente do repertório amaliano, com arranjos do produtor Tiago Machado. Um dos momentos mais altos da sua carreira, surgiu durante a interpretação desta música no célebre concerto em Lisboa, nos jardins da Torre de Belém, quando Mariza, ao olhar para as cerca de 25 mil pessoas que ali se tinham juntado para assistir ao seu concerto, começou a chorar, sendo seguidamente ovacionada pelo público durante três minutos a fio. Outra interpretação célebre desta música foi a do concerto no Pavilhão Atlântico, em 2007, quando ela própria anunciou que tinha perdido o Grammy Latino, para o qual se encontrava nomeada, e em seguida interpretou o dito fado[16].
Já na sua primeira digressão pelo estrangeiro, Mariza pisa palcos como o New Jersey Performing Arts Center e o Hollywood Bowl.O disco é uma espécie de tributo a Amália Rodrigues, já que grande parte das músicas são covers da intérprete. Uma das músicas que também conseguiu melhor repercussão foi Chuva, que se tornou num emblema de Mariza. Uma música instrumentalmente iniciada pela guitarra de António Neto. Barco Negro surge também numa versão bastante diferente da original, ritmada pela percussão de João Pedro Ruela. Por ti, um tema em que fala da sua vida de forma metafórica e intimista, conjuga uma atitude de força e sagacidade, com a aparatosa maestria de Luís Guerreiro na guitarra portuguesa, um dos melhores guitarristas portugueses da actualidade.
Loucura, uma das mais emblemáticas músicas do seu repertório, iniciou não só este disco como dois dos seus principais concertos: o concerto em Lisboa, no jrdins da Torre de Belém, do qual se originou um álbum que recebeu uma nomeação para um Grammy Latino, e o concerto no Pavilhão Atlântico com convidados especiais, a 8 de Novembro de 2007, dado simultaneamente à festa de entrega dos Grammys para os quais estava nomeada.
Com este CD surgiram as primeiras tournés no estrangeiro e os primeiros prémios e nomeações. Talvez se não fosse o seu primeiro prémio, atribuído em 2001 pela crítica alemã, a Deutscheschalplatten Kritik, com o álbum Fado em Mim Mariza talvez não teria tido tanto sucesso neste álbum e o seu nome não teria saltado para a ribalta. E por lá ficou após a edição do seu segundo álbum de originais.
Mesmo assim, muitos dos concertos que deu foram a convite de instituições oficiais como embaixadas, entre outras. Nos EUA, por exemplo, entre a plateia de um espectáculo estava a Srª. Powell, esposa daquele que, à época, era o secretário de estado do país, Colin Powell, que se fazia acompanhar pela esposa de um senador. Apresentou o seu disco no Central Park de Nova Iorque e no Hollywood Bowl de Los Angeles, mas numa entrevista referiu ter gostado mais do espectáculo que deu no grande auditório do New Jersey Performing Arts Center (onde já actuaram prestigiados intérpretes e bandas como os Jethro Tull, CeCe Winans ou a Orquestra Nacional de França), com Susana Baca. No final do concerto a peruana e Mariza deram uma conferência sobre os estilos de música que cantaram.
Ao mesmo tempo que a sua enorme voz, o público era chamado à atenção por outra coisa: a sua imagem. O seu criador habitual é João Rôlo, que lhe permitiu uma imagem de alta-costura que impressionou até o público estrangeiro. Na sua imagem sobressai ainda mais a cor platinada do seu cabelo «à la garçonne». Esta imagem gerou várias críticas do puristas, cujos argumentos colocavam a imagem da fadista longe da imagem que (para eles) o fado deveria ter. Quando lhe colocaram esta questão Mariza referiu que «não foi nada programado».[17]
Outra crítica que lhe foi apontada foi o excesso de temas originalmente interpretados por Amália Rodrigues. A esta Mariza respondeu:


Se aparecesse um americano a cantar Frank Sinatra era fantástico. Aparece uma fadista a cantar Amália e é muito mau. Será que mais ninguém pode cantar aquilo? Não conheço nenhuma fadista que não cante, pelo menos, um tema da Amália.[18]


O CD vendeu muito bem em Portugal, liderando os tops portugueses, tal como todos os restantes álbuns da fadista viriam a liderar (tendo em 2007 conseguido a proeza de ter 3 álbuns seus simultaneamente no top dos 15 mais vendidos de Portugal). Nos Países Baixos também vendeu bem, assim como no Reino Unido e na Finlândia. Nos EUA o álbum chegou a atingir o sexto lugar dos mais vendidos na área de world music[19].
No Mundial de Futebol de 2002, interpretou o hino nacional português antes do início do jogo entre a Coreia do Sul, que jogava em casa, contra a selecção de Portugal.


Primeira digressão
Faz uma digressão pelo mundo, passando pela Tailândia, Itália, Holanda, EUA ou Espanha[20]. A convite da entidade reguladora do espectáculo, participou no Festival Womad 2002 (organização da Real World de Peter Gabriel), em Reading, no Reino Unido. O seu concerto no festival de world music foi gravado e lançado numa edição limitada, de coleccionador Live at WOMAD 2002. Entre as faixas, as que mais se denotam são Primavera e uma imponente interpretação de Estanha forma de vida.
Em 2002, no decorrer da promoção deste disco participou pela primeira vez no programa da BBC, Later wiht Jools Holland, noutro programa de TV francês e foi capa da revista Folk Roots. Depois retornou a Portugal onde actou para sala cheia, no Rivoli, a 27 de Setembro, e no Grande Auditório do CCB, a 1 de Outubro, duas das grandes salas portuguesas de espectáculos. Sobre esses dois espectáculos e em resposta à pergunta feita por vários jornalistas de várias publicações, Mariza fez uma declaração que ficou famosa e se tornou um emblema da comunicação social sempre que regressa das tournés do estrangeiro a Portugal:


"...isto é como voltar a casa para receber a bênção dos pais."


De regresso a Londres a 24 de Novembro, esgotou com dois meses de antecedência o Purcell Room do The Royal Festival Hall, onde actuou no âmbito do Festival Atlantic Waves.[22]


Fado Curvo
Ver artigo principal: Fado Curvo
Um ano depois de Fado em mim edita Fado Curvo, que consegue o mesmo sucesso que o anterior obtendo a quadrupla platina novamente. Não só fez sucesso junto do público como também de várias instituições dedicadas à música. O tema principal desta produção de Carlos Maria Trindade foi Cavaleiro Monge.
Do CD, actualmente, ao invés do próprio single, a música que mais se destaca é Primavera. Poema sublime da autoria do escritor e poeta lisboeta David Mourão-Ferreira, e proviniente do repertório amaliano, Primavera tornou-se uma das grandes paixões de Mariza, algo que refere sempre em todos os seus espectáculos e que, antes deste disco ser gravado, já fazia parte do repertório dos espectáculos da intérprete. É o expoente máximo da voz de Mariza, atingido na recta final da canção, nos versos «Ninguém fale em Primavera/Quem me dera, quem nos dera/Ter morrido nesse dia». Na sua voz, estes três versos tornaram-se os mais conhecidos da música e, aparece várias vezes ao vivo, em reportágens televisivas, a cantar a dita parte da música.[23] A 8 de Novembro de 2007, no concerto no Pavilhão Atlântico, a intérprete foi aplaudida de pé durante seis minutos consecutivos no final da interpretação de Primavera. Sobre a música Mariza referiu numa entrevista:


"Ainda hoje não entendo porque sou tão apaixonada por esse poema e por esse fado."


A par desta, destacam-se outras músicas, entre elas, uma homónima do disco, Fado Curvo, da autoria de Carlos Maria Trindade, música esta que estreita a relação do fado com a dança, devido ao seu teor alegre e mais contemporâneo. Segundo a intérprete, este fado relaciona-se com a sua vida pessoal e com a vida de qualquer ser-humano, já que esta nunca é linear.
No álbum interpreta Caravelas, baseado num poema de Florbela Espanca, da qual também já havia gravado um fado no CD anterior, e logo a seguir canta um poema de Gil do Carmo, um registo mais leve e aprazível, de teor contemporâneo, que se refere à cidade de Lisboa e ao Tejo. É igualmente a música mais curta do disco, com 1:59 min. Anéis do meu cabelo é outro dos temas do álbum, com base num poema de António Botto que parece ter sido feito à medida da imagem da intérprete.
O álbum inclui um fado de Coimbra, da autoria de Zeca Afonso. Mariza, pelo que ela própria conta em entrevista ao Público com Miguel Francisco Cadete, interrogou-se com a interpretação deste fado, pelo seu significado político e pelo simples facto de que não é costume as mulheres cantarem fados de Coimbra:
Mariza, foto de José Goulão Resisti muito a cantar esse tema. Em primeiro lugar porque as mulheres não cantam fado de Coimbra. Em segundo porque era uma letra de Zeca Afonso e as suas letras têm sempre outros sentidos. Ou seja, é muito difícil cantar fado de Coimbra, porque tão depressa se está nos graves como em notas muito altas. [...] A letra tem uma carga política tremenda, mas não sei se as pessoas vão olhar para isso. Soube há pouco a história desse tema, contada pelo próprio Zeca Afonso. Ele tinha ido em viagem ao Porto, a meio dos anos 70, e viu um homem a urinar para dentro de uma lata. Aquilo perturbou-o muito e chamou-lhe a atenção para o bairro onde decorria a cena: um bairro muito pobre e cinzento. [25]


A música ser-lhe-ia útil a partir de 2005, aquando da sua nomeação como Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF, e esta era uma forma cantada de transmitir uma mensagem ao público.


Melhor Artista da Europa de World Music
Disco que mistura um pouco de diversos estilos e que abriga uma visão mais madura do fado e uma tentativa de exploração e inovação da parte dos produtores, letristas e da própria intérprete, Fado Curvo é considerado o «CD da semana» pela BBC Radio, em 2003. Também em 2003 recebe um dos mais prestigiados e importanes prémios da sua carreira: uma nomeação da BBC Radio 3, na categoria de Melhor Artista da Europa de World Music. Vence o galardão europeu e, em 2006, volta a ser nomeada na mesma categoria. Recebe também novamente pelo novo álbum, o prémio atribído pela Deutscheschalplatten Kritik, a crítica alemã, vencendo de seguida o prémio de «Personalidade do Ano» pela AIEP.
Já em 2004 recebe a Medalha de Mérito Turístico (grau ouro) da Secretaria de Estado do Turismo e o prémio European Border Breakers Award no MIDEM, em Cannes. Os leitores da revista Lux, na sequência da atribuição destes prémios a Mariza, elegem-na como «Personalidade do Ano» na área da Música.
Neste mesmo ano, a convite de autoridades e embaixadas egípcias, apresentou-se como convidada de honra no X Cairo International Song Festival 2004. Quando chegou ao aeroporto e ao evento, as individualidades que a esperavam espantaram-se por não estar acompanhada por nenhum comité da embaixada portuguesa ou por personalidades do governo de Portugal. Na Sérvia, quando esta ainda se encontrava unida ao Montenegro, esgotou um espectáculo e aqueles que não conseguiram bilhetes concentraram-se no exterior do edifício, até lhes abrirem a porta à assistência do espectáculo.


Mariza Live in London
Um dia antes de receber das mãos de Michael Nyman o galardão da BBC Radio, Mariza deu um concerto em Londres, que registou um dos momentos altos da sua carreira e do qual saiu um DVD. Mariza Live in London representou um grande passo para Mariza, pois foi o seu primeiro DVD, editado a 28 de Junho de 2004. Foi gravado e editado em parceria com a BBC, dirigido por Janet Fraser Crook e produzido por Alison Howe.
Gravado no concerto que Mariza deu para o público inglês na Union Chapel, a 22 de Março de 2003, o DVD resgistou o momento de um dos seus principais concertos em Londres. Com sala cheia e um palco montado em frente de um púlpito gótico sob o espectro de várias arcadas por trás e dos lados, Mariza surgiu vestida pelo seu criador habitual, João Rôlo, não obstante, ainda um pouco retraída no vestuário. Primeiro com um xaile negro, com uma camisa negra com transparências, um cinto vermelho e uma saia rodada com bolas vermelhas. Depois de deixar o palco nas mãos dos seus guitarristas, que interpretram Variações de Armandinho, surge, desta feita, entre xaile e vestido negro, de saia abaulada.
Apesar da sua voz, o espactáculo foi pautado por alguma teatralidade e movimentos já conhecidos do show-business, como aquele em que, ao interpretar Há festa na Mouraria, colocou a perna sobre uma cadeira e levantou a saia, deixando em evidência um sapato de salto e uma meia com riscas horizontais coloridas, numa imitação da Maria Severa repetida em vários concertos, como o do Rock in Rio em Lisboa, em 2004.
Na guitarra portuguesa teve, como habitualmente, a companhia de Luís Guerreiro, na guitarra acústica António Neto e no baixo Fernando de Sousa. No trompete, na interpretação de O deserto, contou com a participação especial de Guy Barker, e no piano Tiago Machado.
Foi o segundo álbum que Mariza abriu com O silêncio da guitarra, que cantou e dançou com acompanhamento das guitarras. Após o término da música dirigiu-se ao público em inglês dizendo «É um prazer estar qui esta noite e desejo-vos um serão agradável». Logo a seguir aperta o xaile com a mão esquerda e inicia a interpretação de Loucura, ja do repertório amaliano. Ao todo interpretou nove temas do repertório de Amália Rodrigues, o que pautou o concerto por alguma falta de originalidade, já que se gastou um pouco na exploração intensiva de temas interpretados pela primeira. Seguidamente, falou um pouco sobre a música que ia cantar, e as guitarras começaram a musicar Maria Lisboa. Pedindo que o público a acompanhásse com palmas, começou a cantar esta canção também originária do repertório de Amália.
Na interpretação que se seguiu, um fado de Coimbra, que conjuga graves com as notas mais altas, foi interrompida por aplausos do público, passando depois à intepretação de Fado Curvo, música que não só cantou, como também dançou. Ajeitado o xaile, começa a interpretação de Barco Negro, e assim até chegar a Anéis do meu cabelo em que chama ao palco o pianista Tiago Machado, para a acompanhar em três músicas. A segunda, O deserto, foi acompanhada por Guy Barker no trompete e a terceira foi o emblemático Ó gente da minha terra. Já na interpretação de Não é desgraça ser pobre sentou-se em frente de António Neto, e ambos fizeram a sua interpretação desta música, um na guitarra acústica, outro na voz.
Como último tema, elegeu Povo que lavas no rio, o mais emblemático fado de todos os tempos. Descendo do palco até ao público Mariza começou a falar sobre a música que iria cantar:


"A próxima performance, vou fazê-la como na minha terra se faz desde há muito tempo. Nós não temos essas coisas modernas. Para mim, é mais natural cantá-la sem microfone, assim como vou fazer. Este fado é tavez o soul do povo português, o soul de Portugal, Povo que lavas no rio."


Com uma interpretação única de Povo que lavas no rio, que no final arrecadou um aplauso de pé de mais de três minutos até à sua saída do palco, cantou sem microfone lado a lado com o público e com os seus guitarristas. E assim se despediu do público do espectáculo.
O sucesso não chegou ao dos anteriores álbuns, o que acontece normalmente com os DVD's, mas atingiu a platina e, por consequência, o primeiro lugar dos tops nacionais de DVD's. No entanto, o DVD teve boa repercussão, o que levou, em 2006, à edição de outro DVD, desta feita após o lançamento do seguinte álbum, Transparente. Este DVD serviu também como uma ponte entre o segundo e o terceiro CD's da intérprete, promovendo largamente o primeiro até à edição do terceiro álbum.
Neste ano de 2004, canta em dueto com Sting, Unity, para os Jogos Olímpicos.


Concerto no Rock in Rio Lisboa


Em 2004 é convidada a representar o fado e as raízes lusas no Palco Raízes de um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock in Rio. Neste ano, o festival realizou-se na Bela Vista, em Lisboa, e Mariza foi uma das convidadas portuguesas para o espectáculo, que reuniu numa tarde de Primavera, 6 de Junho, mais de oito mil pessoas na assistência.[26][27]
O repertório fez-se dos temas já conhecidos pelo público, mas o concerto reuniu algumas críticas negativas, inicluindo o facto de ter interrompido a interpretação de uma música até que passasse um avião. Neste espectáculo repetiu também durante Há festa na Mouraria, a colocação da perna calçada por uma meia de riscas sobre uma cadeira, recriando a imagem da Severa. Não obstante, no geral, o seu concerto no festival foi apreciado pela crítica e pela imprensa. No mesmo palco, mas para outros concertos, estiveram Souad Massi, At-Tambur, Manecas Costa, Tucanas, entre outras bandas e artistas.[28]
Tem também uma pequena participação no Palco Mundo, durante o concerto de Daniela Mercury, que a convidou para interpretar consigo dois temas bem conhecidos do público lusófono: Fascinação e Garota de Ipanema. Mariza apareceu em palco com um blazer preto e uma saia esvoaçante preta com rosas estampadas, e ambas cantaram uma união entre culturas, nomeadamente, Portugal e Brasil.


Transparente
Para a produção do seu novo álbum, ainda sem nome pré-definido, Mariza envia em 2004 um convite que levava consigo uma proposta de parceria a Jacques Morelenbaum, conceituado produtor brasileiro, que há mais década trabalha com Caetano Veloso na produção dos seus discos, incluindo Fina Estampa.[29]O convite foi aceite e da parceria entre os dois músicos resultou Transparente, um disco que homenageia a avó africana da cantora, e que mistura novas sonoridades ao fado, entre uma busca pelas raízes moçambicanas de Mariza, uma sonoridade jazzística nova-iorquina, uma exploração dos cantares minhotos e do nordeste brasileiro e uma interpelação da música clássica, que marcou o fado contemporâneo.


"Eu sinto que há uma coincidência entre a minha vida e o fado. Mestiçagem tem um grande significado para mim"


No fundo, a verdadeira marca do disco passa por ser este uma interpretação nova do fado, conjugando as suas prováveis raízes, e representa o alcance de uma maior maturidade, que se reflete também nos seus concertos ao vivo, onde já se expressa de outra maneira, menos teatral, mais directa e com um novo contacto com o público, estabelecido pelas músicas deste álbum e pela sua interpretação das mesmas. O fado conquista também novas liberdades e a independência de Lisboa. Não obstante, o álbum não agradou aos puristas.
O álbum recolhe poemas e textos de vários escritores e letristas portugueses como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Vasco da Graça Moura, Aldina Duarte, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Artur Ribeiro, Reinaldo Ferreira e Pedro Campos.[31]. O disco conta com a participação de Mário Pacheco, Rui Veloso e Tiago Machado, e outros, que nunca haviam trabalhado com Mariza, como Paulo de Carvalho ou Fernando Tordo.
Panfleto de Mário Raínho sobre a música do Fado Magala, uma das músicas que mais sobressaem é Recusa, em que a fadista toma a liberdade de se assumir como o próprio fado. Actualmente, é uma das músicas mais esperadas dos seus concertos, contrastando um género de Fado Castiço, aquele que Mariza creceu a ouvir nas ruas da Mouraria, com uma poesia contemporânea que busca uma interpretação daquilo que significa «ser fadista».
Outra música mais bairrista é Fado Português de nós, que interpela o fado, com todas as suas características próprias de música urbana, bairrista e mais tradicional, numa versão em que este deixa de ser português e passa a pertencer ao mundo.
Há palavras que nos beijam é outra música que não passa despercebida, não fosse também o facto de ser um poema da autoria de Alexandre O'Neill, que fala sobre a banalidade que vê no desperdício de um amor, no despedaçar dos laços de união entre dois amantes. Em homenagem a outro poeta do século XX português, canta também Há uma música do povo, de Fernando Pessoa, fado este que foi escolhido como tema principal da banda-sonora da co-produção luso-brasileira Paixões Proibídas, tornando-se na primeira artista portuguesa a interpretar o tema principal de uma novela brasileira. A mais conhecida interpretação ao vivo desta música é a versão do concerto que Mariza deu em Lisboa, nos jardins da Torre de Belém, em 2005, gravado para DVD e CD. Antes de interpretar a música, Mariza anunciou-a dizendo: «Para mim, o melhor poeta português do século XX: Fernando Pessoa; Há uma música do povo.»
Na edição do álbum em Espanha, Mariza interpreta a música juntamente com José Maria Merced, desta vez, em castelhano. A parceria com o cantor marcou também o percurso artístico de Mariza, sendo esta a primeira vez que gravou uma música em parceria com um intérprete espanhol. Meu Fado Meu, um dos singles de Mariza, foi também interpretado para, esta edição, em castelhano.
Meu Fado Meu é a música que mais sobressae no disco, não fosse esta ser o seu terceiro single, numa versão dos trechos de Paulo Carvalho[32] acompanhada não só pelas guitarras, como também por uma orquestra. Nesta canção, Mariza fala sobre a importância do fado para si e para a sua vida e naquilo que o seu fado canta. Todo o repertório de Mariza, apresenta-se como uma auto-biografia cantada e Meu Fado Meu é um capítulo dessa auto-biografia, cantado em todos os seus espectáculos a partir de então.
Interpreta também Quando me sinto só, original do repertório de Fernando Maurício, que, segundo a fadista, lhe terá dito durante uma interpretação «...esta é para o teu repertório!»[33]. Outra homenagem a um intérprete português é Duas lágrimas de orvalho, desta feita, apresentada e gravada só com o acompanhamento do violoncelo de Jacques Morelenbaum, do repertório de Carlos do Carmo, com quem já a interpretou várias vezes, como no Royal Albert Hall, em Londres, e no Pavilhão Atlântico. No Royal Albert Hall, a interpretação junto a Carlos do Carmo, que entrou em palco a meio da canção, cantando a segundda parte desta, mereceu um elogio muito significativo:


O já de cabelos brancos Carlos do Carmo, uma das primordiais influências da estrela, juntou ao concerto um suave contraste com a sua forma de expressão gutural., Clive Davis, in The Times, 24 de Novembro de 2006[34]


A crítica foi proferida por Clive Davis, vencedor de grammy's e produtor e menager de estrelas como Whitney Houston ou Jennifer Hudson. No Pavilhão Atlântico, sem o acompanhamento de Jacques Morelenbaum, apresentou uma versão com as guitarras transparenciando a versatilidade da música. Na versão gravada em Transparente, esta surge melancólica e parece transmitir a dúvida sobre um amor já latente, mas em forma de aviso ou recomendação. Completa a homenagem aos intérpretes portugueses com uma versão da música original de Alain Oulman, cantada originalmente por Amália Rodrigues.
Entre catorze canções, interpreta também Montras, uma visão da imagem de um amor no quotidiano lisboeta, uma crónica contemporânea, deixando de lado os anacronismos bairristas que cantavam uma Lisboa alegre e vaidosa, representada por varinas ou telhados sob o espectro do rio Tejo.
Escrita pelo poeta algarvio Paulo Abreu Lima e por Rui Veloso, uma das músicas mais significativas do álbum - a qual a este deu o nome - é Transparente, numa homenagem às suas raízes africanas e, sobretudo, à sua avó materna negra. É acompanhada por percussão, lembrando os batuques de Moçambique, das guitarras, numa fusão com a cultura portuguesa, muitas vezes orquestrada ao vivo, com balanços da musicalidade algarvia e entoações do nordeste brasileiro dadas por Morelenbaum. A musicalidade algarvia foi, no entanto, Rui Veloso quem a ajudou a descobrir, já no seu anterior disco de originais, com Feira de Castro.
Apresenta o disco, pela primeira vez, ao vivo, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra.
Em 2005, é finalmente nomeada Embaixadora de Boa Vontade da UNICEF e, logo em seguida, é nomeada Embaixadora de Hans Christian Andersen em Portugal, pelo embaixador da Dinamarca no país, a propósito das comemorações do bicentenário do escritor.


Prémio Fundação Amália Rodrigues Internacional
Entretanto, em 2005, a Fundação Amália Rodrigues atribui-lhe o prémio da fundação, como intérprete que mais contribui para a divulgação da música portuguesa no estrangeiro. Em 2006, ainda no procedimento da digressão obtem um dos seus principais prémios: é nomeada para um Globo de Ouro, na categoria de Melhor intérprete, e vence o galardão, que representa o principal galardão da música em Portugal. Tornou-se Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique, pelas mãos do presidente da repúbilca de então, Jorge Sampaio.


Nova digressão e Live 8
Todo este «virar de página» emergiu também no mundo através de uma larga digressão que passou por algumas das maiores salas de espectáculos do mundo. Actuou no Olympia, a mítica sala de Paris, onde actuaram nomes como Amália Rodrigues, Mariah Carey, The Beatles, Celine Dion, The Rolling Stones, Madredeus, entre outros nomes. Para presentear o pai, que sonhava vê-la actuar no emblemático auditório, levou consigo para ver o concerto. Numa entrevista, a mãe chegou a referir que pensou «que a Mariza não conseguia encher o Olympia. Pensava que iriamos passar uma vergonha.»[35] Todavia, os bilhetes esgotaram-se e a sala parisiense encheu-se para ouvir um concerto de fado.
Seguiram-se a Ópera de Frankfurt, o Royal Festival Hall de Londres, Skopje Universal Hall, na Macedónia, o Le Carré de Amesterdão, o Palau de la Música de Barcelona e uma nova «grande conquista» para a música tradicional portuguesa, a 7 de Outubro de 2005, com um concerto no grande auditório do mítico Carnegie Hall, em Nova Iorque, que também lotou.
Em 2005 é convidada a integrar os concertos do Live 8, em Cornwall, contra a pobreza no mundo e em pról da paz mundial, que reúne todos os anos os mais célebres artistas internacionais. Apresenta-se no palco numa tarde de Sábado, a 2 de Julho, com o mesmo vestido que usaria durante o concerto nos jardins da Torre de Belém, em Lisboa.


Concerto na Ópera de Sydney
Mas foi outro o concerto que mais sobressaiu nesta nova digressão mundial. Em 2006, durante duas noites seguidas, a Ópera de Sydney encontra-se lotada para assistir ao concerto de Mariza. A sua primeira vez neste palco mundialmente célebre, reúne também a nomeação para um prémio, os Helpmann Awards, na categoria de Best International Contemporary Concert, na Austrália.[37]
Esta digressão foi acompanhada pelo próprio Jacques Morelenbaum na condução da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, e com vários convidados especiais como Carlos do Carmo, Rui Veloso ou Tito Paris.


Concerto em Lisboa
Após a gravação de Transparente, a artista iniciou uma longa digressão pelo mundo[38], incluindo por Portugal, juntamente com Jacques Morelenbaum e com a companhia da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, uma das melhores e mais prestigiadas da Europa. Na noite de 6 de Setembro de 2005, durante a mesma digressão, oferece nos jardins da Torre de Belém, em Lisboa, um espectáculo ao qual acorreram mais de 25.000 pessoas para assistir[39].
O concerto foi gravado, e dele resultaram um álbum e um DVD, homónimos, Concerto em Lisboa. Foi editado o CD a 6 de Novembro de 2006.[40] Em palco estiveram durante o espectáculo, Mariza, com a voz, Vasco Sousa, no baixo, António Neto, na guitarra acústica, e Luís Guerreiro, na guitarra portuguesa. No lado direito do palco, esteve também uma secção de percussão, que acompanhou a intérprete fadista em Barco Negro e Feira de Castro. Do lado esquerdo do palco, sob a condução do brasileiro Jacques Morelenbaum, tocava a prestigiada Sinfonietta de Lisboa.[41]
Mariza chegou ao palco, batendo palmas e acenando ao público, de vestido rodado negro, como habitualmente, da criação de João Rôlo, com um bolero e adereçada com vários colares de várias voltas, que recordam inspirações africanas. Cumprimentou Jacques e iniciou a interpretação de Loucura. Depois desta música, apresenta-se ao público e deseja-lhe um «serão muito agradável».
Quando começa a cantar Maria Lisboa, primeiro tema da noite interpretado sem acompanhamento da orquestra, pediu acompanhamento do público com palmas, a par das guitarras, acompanhamento este que, quase no fim, mereceu da fadista um «Obrigada Lisboa!». Após Montras, onde evocou uma Lisboa mais contemporânea que na música anterior, inicia Há uma música do povo, referindo inicialmente:


Para mim, o melhor poeta português do século XX, Fernando Pessoa.[42]


Em Barco Negro, é acompanhada somente pelas guitarras e percussão, e contou com a participação do público na sua interpretação, no primeiro e segundo refrões da música. Duas lágrimas de orvalho significou o segundo momento mais alto do concerto, acompanhada somente por Jacques Morelenbaum no violoncelo. Seguiu-se o single Cavaleiro Monge.
Já na interpretação de Feira de Castro, é acompanhada pela guitarras e percussão, novamente. Com a Sinfonietta de Lisboa, interpreta Desejos Vãos, logo em seguida.
Apresenta o seu fado favorito, Primavera, e depois as duas últimas músicas do concerto, Chuva, com letra de Jorge Fernando, numa actuação iniciada pela guitarra acústica de António Neto, e Ó gente da minha terra, que se tornou o momento-chave da noite e um dos mais recordados pela imprensa[43]. Durante a interpretação, Mariza olha para o público e emociona-se, começando a chorar e acabando por interromper a música[44]. Foi a última actuação da noite.
O álbum teve duas edições, uma delas especial e limitada, com 18 faixas. O DVD incluía uma gravação produzida pela BBC da actuação da fadista numa casa de fados do Bairro Alto, a Tasca do Chico, e imagens e making of do concerto.[45]
A este concerto, seguiram-se, em Novembro do mesmo ano, duas actuações no Coliseu de Lisboa e no Coliseu do Porto[46].
Em Janeiro começa a rodagem do filme de Carlos Saura, Fados, no qual, Mariza é a protagonista.


Nomeação para o Grammy Latino
O concerto em Lisboa foi considerado um espectáculo de excepção pela imprensa, mas também por várias organizações. Já em 2007, com o álbum e o DVD editados, entre cerca de 5000 gravações enviadas para a organização, Concerto em Lisboa, o álbum, é um dos quatro nomeados para o Grammy Latino na categoria de Folk Music.
Mariza tornara-se a primeira portuguesa nomeada para um Grammy. Foi o momento mais alto de todo o seu percurso no fado[47]. A sua nomeação causou o corrupio da imprensa nacional em torno de si. No entanto, Mariza referiu sempre que não acreditava que fosse ganhar o gramofone, mas que esta já era uma vitória para Portugal e que abriu as portas para que outros artistas portugueses possam ser nomeados. Uma das suas respostas em relação ao Grammy foi:


Já tenho dito em entrevistas, que não sei se sou suficientemente latina...


No dia 8 de Novembro, simultaneamente à entrega dos prémios em Las Vegas, Mariza dava um enorme concerto em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, onde a própria lá pelo fim do espectáculo acabou por finar a espectativa do público, assumindo que o prémio havia sido vencido pela «cúmbia colombiana».
Acabou por vencer ao álbum Concerto em Lisboa, da fadista, Un fuego de sangre pura, dos Gaiteros de San Jacinto, da Colômbia, um disco de cúmbia tradicional colombiana, em vias de extinção, perdendo-se para a cúmbia orquestrada ou com vertentes pop. A nomeação acabou por se revelar proveitosa para os gaiteiros colombianos, que se tornaram momentaneamente conhecidos em Portugal.


Música com Sal


Mariza, foto de José GoulãoAntes do anúncio do vencedor do prémio, a 6 de Julho deste mesmo ano[48], Mariza (durante a segunda fase da realização da reportágem em Primeira Pessoa, para a SIC, conduzida por Conceição Lino) encontrava-se em Aveiro, onde à noite, pelas 21h:30min daria um espectáculo juntamente com o ministro da cultura do Brasil, Gilberto Gil[49]. O palco foi o Estádio Municipal de Aveiro, que pela primeira vez recebeu um concerto nas suas instalações.
Segundo o JN[50], a idéia deste espectáculo começou a esboçar-se em Dezembro de 2006, quando Gilberto Gil visitou a Universidade de Aveiro para receber o doutoramento Honoris Causa. Nessa altura, surgiu a oportunidade de levar Gilberto ao Estádio Municipal, e a possibilidade manteve-se em aberto.
Da possibilidade de actuação, surgiu também a parceria com um artista português, e a escolha caiu sobre Mariza. Assim, juntaram-se no mesmo palco um ícone da música portuguesa e outro da música brasileira e criaram uma iniciativa que tinha como propósito comemorar a lusofonia à qual deram o nome de Música com Sal.[51]
Assim, o programado no alinhamento, foi a subida de Mariza ao palco e interpretação de alguns fados, até a fadista dar lugar a Gilberto Gil, e depois subia ao palco novamente e cantavam ambos em parceria. Jacques Morelenbaum esteve presente em palco, na condução da Orquestra Filarmónica das Beiras.
Entre o repertório do espectáculo estiveram uma estrondosa interpretação de Primavera[52], uma entoação em parceria com Gilberto Gil de Transparente, e a cumprir um dever que lhe foi incumbido pela UNICEF, canta também com o ministro brasileiro e um dos nomes maiores e mais radiantes da MPB, A Paz. Mariza entoou também Fascinação e outros de sempre, assim como o hit maior de todo o seu percurso Ó gente da minha terra, Há uma música do povo e Chuva. [53] Gilberto Gil cantou Aquele Abraço, A Novidade e Beira Mar.
No entanto, o espectáculo em si, ficou àquem das espectativas, já que eram esperadas oito mil pessoas, e apareceu um pouco mais da metade. Mas chegou para fazer as honras da casa, já que Mariza, impressionada com a reacção do público, prometeu gravar ali em Aveiro um DVD, ao vivo, algo recebido com uma ovação. Na assistência do espectáculo, estiveram os seus pais, que também foram entrevistados por Conceição Lino. Como media partners, teve a SIC, que promoveu o concerto com vários anúncios televisivos, o Jornal de Notícias, o Rádio Clube Português e o Jornal de Aveiro. Em suma, foi um dos concertos mais espectantes da sua carreira.


Late Show With David Letterman
Em Outubro, Mariza encontrava-se nos Estados Unidos, na decorrência de uma tournée pelo país de 13 concertos que incluia duas das mais ilustres salas de espectáculos do mundo. A 10 de Outubro o programa da RTP1, Portugal no Coração, fazia uma homenagem a Herman José e contava com a intervenção de vários convidados amigos do humorísta. Mariza encontrava-se em Nova Iorque, mas homenageou Herman através de uma chamada telefónica que o surpreendeu. Mariza não poupou elogios ao seu amigo e aproveitou para convidá-lo a juntar-se a ela em Nova Iorque. Aproveitou a ocasião, para dizer que à noite iria estar num programa de telvisão da CBS e, no outro dia, actuaria no Carnegie Hall.
Esse programa era nem mais, nem menos que o Late Show With David Letterman, [54] um dos mais célebres talk-shows norte-americanos, com uma audiência média entre 18 e 20 milhões de espectadores. David Letterman é também um dos mais famosos e influentes apresentadores de TV dos EUA, e o seu programa estava no ar há 25 anos. Mariza cantou para cerca de 25 milhões de espectadores Ó gente da minha terra no programa. No fim da estridente actuação, a fadista recebeu uma enorme ovação do público e a dirigir-se a si para a cumprimentar Letterman foi exclamando «Oh, my Goodness!», «Beautifull, incredible!». Foi a primeira portuguesa convidada para o programa.
Segundo declarações da cantora numa entrevista sobre o assunto ao Correio da Manhã, a fadista referiu que no dia seguinte ao programa, foi várias vezes abordada nas ruas de Nova Iorque para a congratularem pela actuação.[55] O vídeo da actuação foi um dos vídeos mais vistos do Youtube, na semana em que foi posto em circulação na net. Entre os mais de 25 milhões de espectadores, Warren Beatty ligou para o número pessoal de Frank Gehry, para que este lhe fornecesse o contacto de Mariza, o que levou o jornalista Miguel Azevedo, numa reportágem no Correio da Manhã, a apelidá-lo de «nome de peso» na lista de «fãs ilustres» da fadista.[56]
No dia seguinte, cantou, já pela segunda vez, para auditório esgotado no Carnegie Hall. Algumas imagens do concerto foram gravadas e incluiram uma reportágem da SIC, na qual Mariza surgia a cantar Recusa perante o público nova-iorquino. Interpretou os habituais temas como Louura, Maria Lisboa, Barco Negro e deixou o palco por minutos, para dar lugar a uma guitarrada, as Variações de Armandinho. A fadista não se fez rogada e experimentou a particularmente boa acúsitca do auditório. Desceu à plateia com os guitarristas, que apoiaram um pé numa caixa de madeira posta no chão, de forma a segurar as guitarras, e cantou sem microfone para o público. Depois empenhou-se em dar um «quê» de fado a Summertime, a interpretação que se seguiu, em inglês, e do original de Nat King Cole, cantou à capella Smile. No final, e para a metade de portugueses que preenchia os lugares da sala, interpretou Ó gente da minha terra. [57]


Parceria com Frank GehryFoi um dos concertos mais aguardados de 2007, assim como um espectante concerto que no Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, depois de passar também pelo Lobero Theatre em Santa Barbara, não fosse o arquitecto Frank Gehry a desenhar o palco onde a intérprete actuou. A proposta veio de Gehry, e seria a primeira vez que este trabalharia em parceria com uma artista musical. Idealizou uma taberna portuguesa, mais acolhedora e intimista, que o fizesse recordar Lisboa e o seu ambiente bairrista. Nos seus planos estava também o desenho dos vestidos que Mariza usaria, mas acabou por delegar a escolha à própria, que elegeu o habitual João Rôlo, para um vestido negro, e um estridente vestido prateado de traços futuristas, por Fátima Lopes, que completava as linhas contemporâneas da taberna e do auditório. Novamente, a sala esgotou para receber Mariza a 28 de Outubro, na conclusão da sua digressão nos EUA.
Depois de uma passagem pelo México, onde esteve pela primeira vez, tornou a Portugal, para um dos concertos mais aguardados de Lisboa, esgotado à cerca de um mês.


Concerto no Pavilhão Atlântico


Mariza no concerto no Pavilhão Atlântico, foto de José Goulão.Mariza chegou a Portugal, vinda do México, e recebeu a notícia de que os bilhetes para o seu concerto em Lisboa estavam esgotados há um mês. De facto, a decorrência simultânea dos Grammys para os quais estava nomeada ao concerto foi um grande chamariz para o público. Contudo, nem a prórpia imprensa esperava que o Pavilhão Atlântico, nas suas possibilidades máximas com lugares sentados (12.500), fosse lotar para receber um concerto de fado.[58] Um dos objectivos do espectectáculo era assumir um dos compromissos estabelecidos com a UNICEF, que nomeou Mariza, em 2005, como Embaixadora da Boa Vontade. Parte das receitas da bilheteira do Pavilhão Atlântico reverteram então, a favor da UNICEF.[59]
Durante todo o dia 8 de Novembro, Mariza esteve a preparar, junto dos seus convidados, aquele espectáculo, o qual a própria denominou «Festa da Lusofonia». Entre os convidados estavam incluidos Rui Veloso, a Sinfonietta de Lisboa, Felipe Mukenga, Carlos do Carmo, Ivan Lins e o cabo-verdiano Tito Paris, da mesma editora de Mariza, a World Connection. Entre o repertório, estavam alguns dos temas mais famosos da lusofonia.
Na zona do Pavilhão Atlântico, todas as entradas de rotundas estavam congestionadas, o trânsito acumulava filas em todas as faixas, os próprios estacionamentos encontravam-se lotados. Às portas do Pavilhão alargavam-se as filas para entrar no recinto. No entanto, a maioria do público conseguiu chegar a tempo do início. O espectáculo foi marcado para as 22h:00min e começou somente com um atraso de cinco minutos.
Entrou a Orquestra Sinfonietta de Lisboa em primeiro lugar, desta feita conduzida por Vasco Pearce de Azevedo. Testaram os instrumentos de cordas, e de seguida entrou o combi de guitarristas, Vasco Sousa, António Neto e Luís Guerreiro, e os percurssionistas, João Pedro Ruela e Viky. E, ao invés de começar no palco, como seria de esperar, começou num grande ecrã sobre este, com umas cenas do filme Fados, de Carlos Saura, nomeadamente, a interpretação de Meu fado meu, juntamente com Miguel Poveda; ele em castelhano, ela em português, com a companhia de dois bailarinos. [60][61]Por fim,sim, entrou Mariza batendo palmas ao público, e como habitualmente, vestida por João Rôlo. O vestido era negro, justo, e parecia abrir uma clarabóia perto da coxa, onde se percebia um folho. O traje foi completado com um bolero negro e vários colares de voltas a lembrar as origens africanas, que naquela noite seriam igualmente recordadas.
Iniciou o alinhamento com Loucura, como começa muitos dos seus espectáculos. Seguiu-se o «desejo de bom serão» naquele seu concerto e pouca fala, já que a fadista referiu não ter palavras para descrever o que sentia. Prosseguiu com Há uma música do povo e depois Chuva, largamente aplaudida. Com a participação da secção rítmica, interpretou Barco Negro balançando-se pelo palco ao som dos tambores.
Eis que a fadista começa a falar acerca das suas referências maiores no fado, apontando que se fosse falar sobre todas, ficaria ali a noite toda. Referiu então as três maiores: Fernando Maurício, a «única» Amália Rodrigues e outro se nhor que viria a entrar no palco, a meio da interpretação de Duas lágrimas de orvalho. Com uma versão acompanhada pelas guitarras e de forma menos melancólica, chega Carlos do Carmo ao palco, que no final da actuação beijou Mariza na testa, como se de um pai se tratásse. Mariza retirou-se do palco, deixando-o entregue ao fadista. [62]
Começou nova música, e o público entusiasmado começou a bater palmas, paradas logo a seguir, a pedido de Carlos do Carmo. Interpretou o emblemático Canoas do Tejo, em conjunto com o público. Seguidamente surgiu a primeira ovação em pé, da noite. Em género trocista, Carlos do Carmo virou-se para Mariza e disse-lhe: «Oh miúda, não me disseste que tinhas a claque preparada!» Seguiu-se Lisboa menina e moça, também cantado com o público. Chegou Mariza ainda no meio da música e ambos dançaram juntos a canção. Mariza atirou depois uma frase, em ironia, aos puristas que tanto criticaram o filme Fados, de Carlos Saura:


"Viram?! Quem é que diz que o fado não pode ser dançado? É claro que pode ser dançado..."


Antes da fadista cantar Cavaleiro monge dedicou-a a um amigo que se encontrava na plateia. Depois subiu ao palco Felipe Mukenga, cantando O mal que eles nos fazem e Dilombe. Subiram Mariza e Tito Paris de uma só vez, e, em conjunto com Mukenga, cantaram a mítica morna de Cesária Évora, Sodade.[63]
Saíram, novamente Mariza, sempre ajudada pelos assistentes devido aos sapatos de salto, e Mukenga, para dar lugar a uma animada Dança mami criola de Tito Paris. Verdianinha foi o tema que se lhe seguiu. Depois de Tito, subiu ao palco o convidado brasileiro, sem antes uma apresentação de Mariza, que começou por cantar a asua música mais célebre, Madalena. Surgiu então o terceiro mais esperado da noite, Ivan Lins, que se sentou em frente a um orgão e se atrapalhou um pouco com a tecnologia de som, lançando algumas piadas sobre o assunto. Cantou Madalena. Depois seguiram-se novos problemas de som, que tiveram de ser resolvidos por um técnico da assistência, devido à «inexperiência tecnológica» de Ivan... Seguiu-se o tema Quando ela passa por mim, depois Garota de Ipanema, a emblemática bossa-nova, e a segui-la, Lembra de mim?. Com Carlos do Carmo de novo em palco, começaram a Cantar Fado do sonho, da autoria de Ivan. Chegou finalmente Mariza para interpretar com Ivan Começar de novo.
Saiu Ivan e chegou, apoiado em muletas, Rui Veloso, para cantar e tocar com Mariza, Transparente. [64]Mariza sai novamente e Rui Veloso começa a cantar Jura. [65]Mariza surgiu de novo para cantar uma extasiante versão de Não queiras saber de mim.[66] Seguiu-se a saia, também escrita por Rui Veloso, Feira de castro e logo de seguida Oiça lá ó Sr. Vinho. Segui-se uma das canções mais esperadas da noite, Primavera, na qual Mariza encheu todo o enorme Pavilhão Atlântico com toda a sua garra e extensão vocal. [67]Foi ovacionada de pé durante cerca de seis minutos. Depois começou a interpretação de Meu fado meu, original de Paulo de Carvalho.[68]


Despediu-se do público com acenos e saiu e, após uma valente ovação, entrou, como já havia sido programado, para cantar o seu emblemático hit. Porém antes disso falou outra vez com o público:


Sei que há por aí alguma ansiedade devido a um dito cujo prémio [o grammy]. Pois bem, esse prémio foi para a Colômbia... Como vêem, fiz bem em escolher ficar aqui com a gente da minha terra! Boa noite! [1][2]


Deixando o anúncio por que todos esperavam, ou seja, de que não tinha arrecadado o Grammy Latino, prossegue com Ó gente da minha terra. Interrompeu a meio, tendo que se voltar para trás, começando a lacrimejar. Depois desceu ao público, acto repetido várias vezes, e continuou a cantar acenando a todas a bancadas. Despediu-se e deu por encerrado o concerto.
Foi um concerto sem dúvida expectante, que reuniu critícas e elogios, enfim, a atenção de toda a imprensa. No entanto, esperava-se mais enérgico e uma presença maior de Mariza em palco. O concerto foi transmitido em directo pela Antena 1.[69]


Fados
Depois de Lisboa, Mariza teve em agenda concertos em Bruxelas e na Holanda, em Amesterdão, no dia 18, e em Tilburg, a 21 de Novembro.
Entretanto, é em Novembro que estreia em Portugal o filme de Carlos Saura, Fados, que completou a triologia inciada anos antes pelo autor, documentários musicais sobre três grandes gêneros de música urbana tradicional, que se tornaram ícone do país de origem. Flamengo, Tango e agora Fados.[70]
Fados, que começou a ser rodado em Janeiro, surge, ao invés de um filme, como um documentário musical que imortalizou o fado na película e o tratou com toda a contemporaneidade que merece, aliando-lhe alguns dos mais famosos artistas de world music na sua interpretação, tornando-o novamente dançável, como era quando surgiu pelos bairros de Lisboa carregado pela voz dos boémios e nas guitarras apoiadas à perna. O filme é tido igualmente como um ataque aos puristas e conservadores.[71]
Mariza, foto de José GoulãoEntre os artistas que participam estão Mariza, com três aparições em cena, para cantar Tranparente, depois um fado-flamengo dividido com Miguel Poveda, Meu fado meu e mesmo no final Ó gente da minha terra.[72] Outra das participações mais aclamadas, a par de Mariza, foi Carlos do Carmo também com três aparições, uma delas com Chico Buarque. Participaram também Camané, Lura, Brigada Victor Jara, Argentina Santos e Estranha forma de vida num falsete de Caetano Veloso. Teve-se honorifica presença da guitarra de Mário Pacheco, acompanhada em voz por Cuca Roseta, e outro nome de peso, Lila Downs, a cantar Foi na travessa da palha. O filme teve ainda outras participações.[73]
Mariza juntou-se à promoção do filme nos Estados Unidos e em Espanha. O filme reuniu tanto críticas como elogios, e uma das críticas apontadas, é o facto de se afastar da concepção natural do fado. O filme não foi aceite no Festival de Cinema de Cannes.
Entretanto consegue uma nova proeza, desta feita, ter três discos seus no top 15 de vendas, em Portugal, em primeiro lugar, Concerto em Lisboa. Durante 2007 também, uma foto da artista surge ao lado de mais cinco fotos de intérpretes da música do mundo, na margem superior da página da web da Songlines, em primeiro-plano[74]. Na mesma barra surge a fotografia de outro intérprete lusófono, Gilberto Gil, que também em 2007 deu em Aveiro um concerto juntamente com Mariza.


Comemorações dos 500 anos do Funchal
Depois de regressar da Europa Central, a convite da organização das comemorações dos 500 anos de fundação da cidade do Funchal, na Madeira, a intérprete agenda para dia 23 de Novembro um concerto no Madeira Tecnopolo. [75][76]
O concerto, patrocinado pela TMN[77], teve os seus bilhetes esgotados rapidamente, já que o espectáculo na Madeira há muito que era aguardado. A organização tentou que Mariza concedesse a autorização para entrar mais pessoas, além das duas mil previstas, já que a procura de ingressos era tão vasta. Mas a comitiva da fadista não o deixou.
Ainda no aeroporto a fadista foi recebida por um batalhão de jornalistas, mas somente se deixou fotografar, alheando-se de quaisquer declarações. Todavia, duas horas antes do concerto, concedeu uma conferência de imprensa onde referiu o agrado por participar no evento.
A acompanhar o concerto, onde Mariza cantou os habituais temas de Concerto em Lisboa, teve o seu combi de cordas e percussão, e a Orquestra Clássica da Madeira, conduzida por Rui Massena. A espectativa maior recaía sobre Ó gente da minha terra.[78]
Participou, já no fim do mês no concerto de Rui Veloso, no Palácio de Seteais, também já esgotado. No entanto, devido à falta de infra-estruturas com condições para acolher os espectadores e protegê-los do frio e da chuva que se faziam sentir, a plateia reduziu-se a metade, pois muitos abandonaram o recinto.
Em 2007 o seu mediatismo levou os criadores do Contra Informação, da RTP, a adicionarem o fantoche de Mariza à sua já vasta colecção. A fadista foi também caricaturada no programa dos Gato Fedorento, Diz que é uma espécie de magazine, onde foi apresentada como a «salvação da pátria».
Ao anúncio de uma pausa de sete meses para a gravação do novo trabalho, produzido, desta feita, por Javier Limón, seguiu-se o anúncio da edição de uma caixa de luxo, colocada à venda pela FNAC, em exclusivo e em edição limitada, no princípio de Dezembro, com a discografia de estúdio da cantora juntamente com os dois DVD's, um livro sobre o fado, e outras opções. Porém, devido a problemas de fabrico, essa edição foi posta à venda em Janeiro de 2008.
Participa então na campanha de promoção do Ministério do Turismo de Portugal, que contou com as figuras mais mediáticas portuguesas no estrangeiro, como José Mourinho, Cristiano Ronaldo ou Joana Vasconcelos. É ainda em Janeiro deste ano, que é a primeira convidada do talk-show de José Carlos Malato, Sexta-à-noite, e foi também a primeira a estrear o palco do programa, onde cantou Ó gente da minha terra.


Terra


MarizaA 9 de Maio de 2008, um novo concerto nos jardins da Torre de Belém, serviu para que Mariza apresentásse três dos temas do seu novo álbum, Terra, a editar no dia 30 de Junho em Portugal, e só depois no estrangeiro, ao contrário do que vinha a ser feito pela artista, tendo apresentado os seus discos inicialmente fora do páis, alcançando mais tarde o mercado português.
No mesmo mês foram anunciados o contrato da cantora com a Caixa Geral de Depósitos, que irá representar em Portugal e no estrangeiro, substituindo Luiz Felipe Scolari, e com a gravadora estadunidense Blue Note Records, a mais importante editora de jazz do mundo, que agencia artistas como Norah Jones, Marisa Monte, Stacey Kent, Peggy Lee, Chuchu Valdés e Suzanne Vega.
Terra é o quarto disco de originais de Mariza, apresentado oficialmente a 16 de Junho de 2008 para a imprensa nacional e estrangeira na Culturgest, com a produção de Javier Limon. A assistir aoespectáculo estiveram Herman José, Fernando Tordo, o Ministro da Cultura, entre outros convidados.
O disco baseia-se nas várias tournées realizadas por Mariza e é descrito como "orgânico", como "uma viagem". Inclui alguns fados clássicos, como Alfama e Rosa Branca, e outros com letra de David Mourão-Ferreira, como Recurso musicado por Mário Pacheco, Florbela Espanca, Paulo Abreu Lima e outros. Incluiu não só fados, mas também mornas, duetos (com Tito Paris e Concha Buika) e parcerias com Rui Veloso, Ivan Lins e Dominic Miller (guitarrista de Sting). O single é Rosa Branca.
A apresentação mundial ao público terá lugar dia 21 de Junho em Santarém (onde nunca deu um concerto), no Monumental Graça Celestino, um espaço com lotação para catorze mil pessoas. Até ao fim de 2008 a fadista tem agendados concertos em 18 países, entre os quais Espanha, Letónia, Luxemburgo, Reino Unido, Roménia e Bélgica, e inúmeras cidades, entre as quais Huelva, Badajoz, Barcelona, Timisoara, Paris, Amsterdão, Helsínquia, Sófia, Oslo, Riga e Budapeste, e, em Portugal, Viseu, Coimbra, Lisboa, Ponte de Lima e Pombal. A digressão levá-la-á, até ao final do ano, a várias cidades portuguesas, como e Pombal, e a dezoito países, entre outros.


Mariza e o fado contemporâneo


Apesar de reunir algumas críticas dos espectadores mais conservadores, Mariza foi a maior impulsionadora da nova geração de fadistas que surgiram depois do milénio, e uma das pessoas que mais contribuiram para o reconhecimento e o valor que fado conseguiu recUperar, tanto em Portugal como no estrangeiro.


A influência de Amália Rodrigues
Mariza é hoje, indubitavelmente, a fadista mais reconhecida do fado contemporâneo, e reúne pelo menos três das características que Amália teve, e que muito impulsionaram o seu sucesso: ser proviniente de um bairro típico de Lisboa, ter uma excelente voz e a dramatização das suas interpretações. E Mariza conheceu a música de Amália já relativamente tarde, já que o pai só tinha o hábito de ouvir fadistas masculinos em casa. Acusada de explorar negativamente o repertório mais célebre de Amália, é inquestionável que Mariza revitalizou essas canções, colocando de novo o fado na ribalta, algo que não se via ainda na década de noventa. Para além disso, colocou o fado no topo da world music, levando-o aos mais ilustres palcos, como a Sala Kongresowa, em Varsóvia, a Ópera de Sydney e o Carnegie Hall, e colocando-o no top nacional de vendas da Finlândia e Holanda, algo impensável até à altura.
Mariza faz, cada vez mais, um fado muito autêntico e muito próprio, sendo considerada o expoente do fado experimental. Representa, além de tudo, um virar de página no Fado.


Discografia
Fado em Mim (2002), 4x Platina
Fado Curvo (2003), 4x Platina
Mariza Live in London DVD (2004), Platina
Transparente (2005), 3x Platina
Concerto em Lisboa CD (2006), Dupla Platina
Concerto em Lisboa DVD (2006), Platina
Terra CD (2008)


Prémios, nomeações e outras honrarias
2003 - Prémio BBC Radio 3, na categoria de Melhor Artista da Europa de World Music.
2003 - Prémio da Deutscheschalplatten Kritik
2003 - Prémio Personalidade do Ano da AIEP
2004 - Medalha de Mérito Turístico (grau ouro) da Secretaria de Estado do Turismo
2004 - Prémio European Border Breakers Award do MIDEM
2004 - Convidada de honra no X Cairo International Song Festival 2004
2004 - OGAE Video Contest, por Cavaleiro Monge
2004 – Nomeação para os Prémios Internacionais Terenci Moix, na área das Artes e Ciências.
2005 - Embaixadora de Boa Vontade da UNICEF
2005 – Convite para integrar os concertos do Live 8
2005 – Nomeação para o rémio BBC Radio 3, na categoria de Melhor Artista da Europa de World Music.
2005 - Prémio Fundação Amália Rodrigues Internacional
2006 - Globo de Ouro, na categoria de Música, como Melhor Intérprete Individual pelo álbum Transparente
2006 - Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique
2006 – Nomeação para os Helpmann Awards (Austrália), para o Melhor Concerto Contemporâneo Internacional
2006 – Nomeação para o rémio BBC Radio 3, como Melhor Artista da Europa de World Music.
2006 – Nomeação para os Emma Gaala (Finlândia), como Melhor Artista Internacional
2007 – Nomeação para um Grammy Latino, na categoria de Folk Music
2007 - Apresentada pela revista Visão como uma das 25 mulheres mais influentes de Portugal.
2008 – Embaixadora do Turismo, pelo Instituto de Turismo de Portugal
2008 – Prémio Rádio Clube/ O Metro, na categoria de Cultura
2008 – Medalha de Vermeil da Sociedade de Artes Ciências e Letras Francesa


Curiosidades
Nasceu prematura.
Aquando da adolescência, escondia dos amigos que cantava fado.
Segundo uma reportagem da SIC, transmitida dia 6 de Setembro de 2007, a fadista diz que detesta chorar em público, como aconteceu no Concerto em Lisboa, visível do DVD homónimo. Mariza diz que queria cortar essa parte, mas não a deixaram. Acabou por ser o ponto mais alto e memorável do espectáculo.
O seu poeta de eleição é Fernando Pessoa.
A sua música preferida, retirado do repertório de Amália Rodrigues, é Primavera.
Nas digressões, no estrangeiro ou em Portugal, opta sempre por hotéis de quatro estrelas, e uma das suas exigências é a abundância de chá.
Em 2006, a BBC produz o primeiro documentário biográfico de Mariza.
Foi escolhida para representar Portugal no projecto 100 most important Women in Europe.
2006 - Ó gente da minha terra foi o principal tomada banda sonora do filme Isabella, realizado por Pang Ho-cheung, e vencedor do Urso de Prata na categoria de Melhor Banda Sonora, no 56º Festival de Cinema de Berlim;
2007 - Tornou-se na primeira artista de Portugal a ser nomeada para um Grammy.
2007 - Foi também a primeira artista Portuguesa a actuar num talk show em prime time Late show with David Letterman, nos EUA. Já antes tinha sido a primeira presença Portuguesa no programa da BBC Inglesa - Later with Jools Holland.» in Wikipédia.


"Primavera
Composição: David Mourão-Ferreira e Pedro Rodrigues


Todo o amor que nos prendera
Como se fora de cera
Se quebrava e desfazia
Ai funesta primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia


E condenaram-me a tanto
Viver comigo meu pranto
Viver, viver e sem ti
Vivendo sem no entanto
Eu me esquecer desse encanto
Que nesse dia perdi


Pão duro da solidão
É somente o que nos dão
O que nos dão a comer
Que importa que o coração
Diga que sim ou que não
Se continua a viver


Todo o amor que nos prendera
Se quebrara e desfizera
Em pavor se convertia
Ninguém fale em primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia"


Mais informações sobre esta Grande Fadista no seu site pessoal:
http://www.mariza.com/
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